Luís Renato Costa
Sou mais presente na ausência.
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Onde residem minhas verdades?
Onde residem as minhas verdades?
No que escrevo ou no que falo?

Sem saber porque, falo cada vez menos.
Já se disse que nenhum homem é uma ilha.
E também já foi dito que se falássemos menos, talvez compreendêssemos mais.
Todas as duas assertivas são verdadeiras.  

Não se recupera uma palavra após dita, e cada palavra dita é valorada pela ótica de quem a ouve.
Assim, não é leviano afirmar que a verdade nela contida nem sempre representa a expressão do que exatamente se queria dizer ou o real sentimento de quem a emite.

Diante desta constatação (que acredito válida) e considerando ainda, a talvez desnecessária e desproposital preocupação em como cada letra será interpretada, tenho me refugiado (sim, talvez por medo ou apenas timidez) na escrita, mesmo ciente de que a palavra lida também será interpretada pela mente de quem a lê.

Resta-me, no entanto, a certeza de que não terei, ao menos até o momento da leitura, nenhuma possível reprovação, contestação ou questionamento.
Alívio temporário, sim, dirão uns.
Mas, às vezes, alívios são necessários.

- ¨Pai, me empresta o carro?¨ = pedido mais facilmente feito de forma escrita que face a face.

- ¨Não lhe amo mais e não há mais razão para vivermos juntos¨ = constatação mais facilmente expressa de forma escrita que face a face.

- ¨A vida para mim, a partir deste momento, perdeu o sentido¨ = sentimento mais facilmente escrito que dito, face a face ou diante do espelho.

Seria então a escrita, para alguns, uma forma de fuga? Talvez sim.
A escritora Anais Nin, na primeira metade do século XX, exigiu que seus textos somente fossem divulgados após a morte de seu marido.
Alguns escritores se refugiaram (ou não?) sob heterônimos para dizer o que queriam. A resposta mora em Fernando Pessoa.
Outros (Hemingway, Saramago), mais escreveram que falaram.
De alguns, a voz nunca foi ouvida.  

Penso que, às vezes, as palavras escritas carreiam mais verdades que juramentos em alta voz.
Luís Renato Costa
Enviado por Luís Renato Costa em 01/02/2018
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