Luís Renato Costa
Sou mais presente na ausência.
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Novelo da vida

¨A vida é curta e outra não há¨, sempre ouvi dizer.
A roda não pára e quem nela está nunca há de descer.

Sobre a vida, o poeta, um dia, se propôs versejar:
¨É a arte do encontro¨, chegar e partir, e desencontrar.

Faz parte de nós lembrar e esquecer, viver e sonhar,
Cruzando com muitos, simples transeuntes, sem cumprimentar,

Um rosto, outro rosto, mais outro e mais um sempre a aparecer,
E um dia um olhar, que penetra e que vê, desafia a gente e nos faz renascer.

Lembranças fugazes, ariscas e raras, medidos momentos,
Que se escondem na estrada, que somem da caixa dos mil pensamentos.

Assim caminhamos, um dia após outro, cumprindo a jornada,
Não percebendo que nada é eterno, que ventos ora mudam e vem invernada.

E os momentos que um dia foram finitos, quando resgatados por força qualquer,
Se expandem, explodem, e com força incomum, levantam o halter.

Vencem a dúvida, a incerteza, o medo, e convencem seu dono,
A sair do casulo, reler velhas folhas, desenhar novas formas, acordar do seu sono.

Quando tal acontece, nada se há de entender, nada há a explicar,
O comum desconhece, o douto não sabe e o sábio ignora como justificar.

E quem bem passou toda a vida a pensar, repensa o que pensa, reconhecendo assim
Que no novelo da vida, nem sempre se encontra o começo e o fim.  
Luís Renato Costa
Enviado por Luís Renato Costa em 06/12/2017
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